O papel da Suplementação Nutricional Oral na gestão da desnutrição no doente oncológico

A nutrição é um aspeto fulcral a ter em conta na gestão da doença oncológica, dado que as necessidades nutricionais diárias estão aumentadas nestes doentes. Simultaneamente, os efeitos secundários dos tratamentos, tais como as náuseas, vómitos, diarreia ou alterações de paladar, têm impacto na alimentação diária dos doentes, levando a que ingiram menos quantidades às refeições. Assim, em consequência do cancro e dos seus tratamentos, a condição física e o estado nutricional do doente podem ficar comprometidos.1

Quando a ingestão alimentar não é suficiente para cobrir as necessidades nutricionais do doente, aumenta o risco de desnutrição, que se reflete na perda de peso de forma involuntária e, principalmente, na perda de massa muscular.2 Cerca de 1 em cada 3 doentes oncológicos estão desnutridos, sendo esta condição responsável por 10 a 20% das mortes nestes doentes.3

A desnutrição tem um impacto negativo no doente oncológico, diminuindo a resposta ao tratamento e aumentando o risco de complicações.4-7 Como tal, é fundamental monitorizar regularmente o peso, de forma a detetar as perdas de peso involuntárias o mais precocemente possível.8 Isto permitirá uma intervenção nutricional atempada, associada a benefícios na qualidade de vida do doente.9,10

Sempre que a alimentação habitual não seja suficiente para cobrir as necessidades nutricionais do doente, o profissional de saúde poderá indicar a toma de um suplemento nutricional oral (SNO).8 Os SNO permitem um aumento da ingestão alimentar sem impactar o apetite do doente, levando a uma melhoria significativa do peso e da composição corporal, da força muscular e da qualidade de vida.11

Para garantir uma adequada adesão ao SNO existem alguns aspetos fundamentais a ter em conta, entre os quais o volume, a temperatura e os sabores. Suplementos nutricionais orais que tenham um baixo volume e elevado aporte calórico, e com uma maior variedade de sabores, permitem uma maior adesão por parte dos doentes oncológicos. Quanto à temperatura, os SNO podem ser refrigerados ou ligeiramente amornados (sem ferver), de acordo com a preferência do doente.12-14

As alterações de paladar e olfato também podem afetar a adesão do doente ao SNO. Até 70% dos doentes desenvolvem estas mesmas alterações antes, durante e até 1 ano após os tratamentos.15 Existem SNO especificamente desenvolvidos e validados para esta condição específica, que permitem uma sensação intensa ou refrescante no momento da toma.16

Estes suplementos nutricionais orais são alimentos para fins medicinais específicos destinados à gestão nutricional da malnutrição associada a doença. Devem ser consumidos sob supervisão médica e exclusivamente por via entérica oral.

Referências bibliográficas:

  1. Arends J et al. Clin Nutr. 2017; 36(1):11-48.
  2. Caro M, et al. Clin Nutr. 2007;26(3):289-301.
  3. Arends J et al. Clin Nutr. 2017; 36(5):1187-96.
  4. Martin L et al, J Clin Oncol. 2015;33(1):90.
  5. Prado CM et al. Proc Nutr Soc. 2016;75(2):188-98.
  6. Burden ST et al. J Cachexia, Sarcopenia and Muscle. 2017.
  7. Fokuda et al. Ann Surg Oncol. 2015;22:S77-85.
  8. Arends J et al. Clin Nutr. 2016; 1-38.
  9. Trestini I, et al. Eur J Clin Nutr. 2018;72:772–779.
  10. Baldwin et al, J Natl Cancer Inst. 2012, 104(5):371-385.
  11. Cawood et al. Ageing Res. Rev 2012;11:278-96.
  12. Hubbard GP et al. Clin Nutr. 2012; 31: 293-312.
  13. Enriquez-Fernández B, et al. Support Care Cancer.2019;27:333–349.
  14. Stratton R et al, Proc Nutr Soc. 2010;69(4):477-87.
  15. Spotten, Ann J Oncol. 2017; 28(5):969-984.
  16. De Haan J, et al. Annals of Oncology. 2018;29(8):viii603-viii640.

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